Cinara de Araújo traduz Mohsen Emadi



Mohsen Emadi ( محسن عمادی - Irã, 1976) é poeta, tradutor e cineasta, além de professor de Poesia Digital e Poética do Cinema.


Entre os poetas traduzidos por Mohsen Emadi para o persa estão Vasko Popa, Zbigniew Herbert, Cesar Vallejo, Walt Whitman, Clara Jánes e – vejam só – João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade. Grande parte de sua obra como poeta circula em traduções para o inglês e o espanhol.


O poema que selecionamos aqui, escrito em farsi, é o trecho final da obra El Poema. Sua nota introdutória assim nos contextualiza: em 1988, o aiatolá Khomeini ordenou a execução de aproximadamente 5000 presos políticos. Seus corpos foram despejados em Khavaran – um cemitério de valas comuns localizado a sudeste de Teerã. El Poema, que também é um curta-metragem de Mohsen Emadi exibido na Espanha, Portugal, México e no Brasil, retrata a brutalidade humana praticada em nome da religião e da ideologia. Esse curta pode ser visto no site do poeta: http://mohsenemadi.org


El Poema – Poesia é o único rebelde é a segunda publicação do ColeTivo OurIsso, do qual Cinara participa, e contou com a colaboração de Impressões de Minas e Cas'a Edições. O poema de Mohsen Emadi e a tradução proposta por Cinara de Araújo podem ser lidos integral e gratuitamente em https://issuu.com/coletivoourisso/docs/el_poema_preto.

Cinara de Araújo é artista-pesquisadora e professora na Universidade Federal do Sul da Bahia-UFSB e doutora em Estudos Literários pela UFMG. Além disso, integra o Grupo Transdisciplinar de Pesquisa Literaterras: escrita, leitura e traduções (FALE - UFMG) além de coordenar o projeto de pesquisa Poema, Experiência, Comunidade: a bio-grafia como método e modos da literatura incomparável. Recentemente, lançou a obra Árvores Altas pelo Projeto Escuta AudioLivres: literatura, corpo e acessibilidade.

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Tradução de Cinara de Araújo

Na minha língua,

cada vez que nos calamos de repente,

nasce um policial.

Na minha língua,

atrás de cada bicicleta assustada,

se sentam três mil palavras mortas.

Na minha língua,

as pessoas murmuram confissões,

vestidas de sussurros negros,

e as enterram no silêncio.

Minha língua é silêncio.

Quem traduzirá o meu silêncio?

Como vou cruzar esta fronteira?



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