Palenqueras: pinturas de Ana Mercedes Hoyos

Ana Mercedes Hoyos (Colômbia, 1942 – 2014) foi uma reconhecida pintora e escultora, importante dentro do movimento modernista colombiano. Pesquisadora na área de Arte e Cultura, Ana Mercedes Hoyos criou obras sob diferentes vertentes – como o Geometrismo e a Pop Art – antes de se dedicar a um trabalho com as cores vibrantes e as formas curvilíneas, que passaram a caracterizar a sua pintura.


A respeito de sua série de quadros sobre as mulheres palenqueras, antes são necessárias algumas contextualizações. O Palenquero é uma língua crioula falada na Colômbia e possui algumas características específicas. Historicamente, como o grupo de falantes – negros escravizados que conseguiram fugir e indígenas – viveu e se concentrou em uma região específica sem contato constante com o espanhol e com o português, o palenquero manteve muito de suas bases linguísticas oriundas das línguas africanas – como o quicongo, falado em algumas regiões de Angola e da República Democrática do Congo. Essa região de presença palenquera, chamada de Vila de San Basilio, hoje é conhecida como San Basilio de Palenque.


As palenqueras são mulheres que vendem frutas nas feiras abertas e próximo às praias. Com vestidos coloridos, elas carregam as frutas em bacias transportadas equilibradas sobre a cabeça. Certamente, essa figura possui grande apelo turístico; no entanto, as palenqueras representam mais do que isso: são uma herança histórica e cultural colombiana, tanto como elemento que preserva um patrimônio imaterial, como a língua palenquera, quanto como um símbolo de resistência da mulher afrolatina, sobretudo em um país que, assim como o Brasil, é marcado por uma história escravocrata que não promoveu plenamente a inclusão de sua população negra após o processo de abolição.





Nesta série (que inclui trabalhos em pintura, serigrafia e litogravura), derivada de uma pesquisa prévia sobre cultura e História colombianas, Ana Mercedes Hoyos enfatiza as cores que tanto caracterizam as palenqueras e a tradição de seu ofício. O enquadramento proposto apresenta uma proximidade com os elementos retratados. No entanto, em virtude dessa perspectiva de enfoque, as mulheres palenqueras geralmente não aparecem por completo nos quadros: elas são pernas, braços, um rosto de perfil entrecortado, e não usam vestidos coloridos: grande parte deles é monocromático. Aliás, há quadros em que as palenqueras estão ausentes por completo, cabendo ao espectador o acesso somente às frutas que são vendidas por elas. Esses signos de presença parcial da figura da mulher nas pinturas de Ana Mercedes Hoyos conduzem a recepção de cada obra para uma leitura mais crítica, talvez diluída pela beleza multicolorida dos quadros.


Conheça algumas das pinturas de Ana Mercedes Hoyos:


Bodegón de mediodía. óleo sobre tela. 120x120cm. 1999;


Bodegón de Palenque. óleo sobre tela. 149,9x149,9cm. 1989;


Bazurto. óleo sobre tela. 100x104cm. 1998;


Palenqueras de Noviembre. óleo sobre tela. 149,9x149,9cm. 1999;


Bazurto. óleo sobre tela. 100,3x149,8cm. 2005;


Bazurto 10. óleo sobre tela. 104x108cm. 2006;


sem título. óleo sobre tela. 150x150cm. 2013;


San Basílio I. litogravura. 55x75cm. 2005.



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