Lubi Prates traduz Lucille Clifton



Lucille Clifton foi uma premiada poeta e escritora, tendo sido também professora e educadora. Seu livro de estreia, Good Times (1969) foi eleito pelo New York Times como um dos 10 melhores livros daquele ano. Geralmente ambientados no contexto familiar ou nas questões sociais e políticas vividas pelos afro-americanos nos bairros das grandes cidades, os poemas de Lucille Clifton são, em sua maioria, curtos, mas de considerável densidade.

É interessante destacar como a memória é importante na poesia de Lucille Clifton. Experiências da infância e da juventude, que moldaram a voz poética da agora mulher negra adulta, precisam ser relidas para que possam ou ser resgatadas - e, assim, transmitidas e celebradas com outras mulheres negras, de modo que os vínculos de representatividade e de visibilidade entre elas não sejam apagados (ponto de reivindicação do poema “the lost women”); ou para ser confrontadas, desmascarando assim as estruturas machistas, patriarcais e racistas que atravessam violentamente a construção de uma visão de mundo por uma mulher negra, constantemente sonegando dela direitos e escolhas.

O poema aqui apresentado integra a obra The Collected Poems of Lucille Clifton (BOA Editions, 2012) e possui tradução de Lubi Prates - a quem agradecemos por ter aceito o nosso convite e gentilmente autorizado esta publicação.



the lost women


i need to know their names those women i would have walked with jauntily the way men go in groups swinging their arms, and the ones those sweating women whom i would have joined after a hard game to chew the fat what would we have called each other laughing joking into our beer? where are my gangs, my teams, my mislaid sisters? all the women who could have known me, where in the world are their names?




as mulheres perdidas

Trad.: Lubi Prates


eu preciso saber os nomes

daquelas mulheres com quem eu teria caminhado

alegremente como fazem os homens em grupo

balançando os braços, e daquelas mulheres

suadas com quem eu teria me juntado

depois de uma partida difícil para jogar conversa fora.

do que teríamos chamado umas às outras rindo

brincando na nossa cerveja? onde está minha gangue,

meu time, minhas irmãs extraviadas?

todas as mulheres que poderiam ter me conhecido,

onde nesse mundo estão seus nomes?



Lubi Prates é psicóloga, poeta e tradutora, além de sócia-fundadora e editora da nosotros editorial, e editora da revista literária Parênteses. É autora de coração na boca (2012), triz (2016), um corpo negro (2018), de lá / daqui (2018) e permanece (2019). Recentemente, sua obra um corpo negro ganhou traduções para o espanhol e para o inglês, em uma parceria entre as editoras Abisínia (Argentina), Escarabajo (Colômbia) e Nueva York Poetry Press (Estados Unidos), e uma tradução para o croata pela Druga Priča. Além dos poemas de Lucille Clifton, Lubi Prates também traduziu a obra Poesia Completa da poeta Maya Angelou, publicada em 2020 pela Astral Cultural.


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